Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral - 20/09/2013

evangélicos e o poder

Artigo de Fernando Oshige

Agência Latino-americana e Caribenha de Comunicação

Um dos fatos mais importantes que vem marcando a história sócio-religiosa latino-americana, desde os anos 70 do século passado, é o crescimento significativo das igrejas evangélicas.

Esse crescimento, de modo especial das comunidades pentecostais, gerou natural interesse entre os cientistas sociais e os partidos políticos, assim como expectativa nos setores protestantes tradicionais e inquietude em muitas conferências episcopais católicas.

Segundo analistas, como Miguel Diez, esse fato constitui um fenômeno novo que pode gerar transformações políticas e sociais no continente.

Muitos argumentos foram esgrimidos para explicar esse fenômeno religioso registrado na região. A partir dos próprios pentecostais, que atribuem esse crescimento à força do espírito que os anima, até alguns setores políticos radicalizados, que acusam as "seitas protestantes" nada menos do que instrumentos do governo norte-americano.

Vozes sensatas, dentro do protestantismo tradicional e inclusive do catolicismo, reconhecem que muitas dessas igrejas pentecostais passaram a ser uma das expressões mais dinâmicas do cristianismo latino-americano, produzindo transformações substanciais na forma de viver a fé e de entender a missão da igreja.

Incluímo-nos entre os que acreditam que os evangélicos vivem hoje uma situação cheia de desafios e de oportunidades. Cremos que é preciso evitar cair na tentação do triunfalismo que o rápido crescimento provoca nas hostes da fé, mas também de cair em "leituras precipitadas e simplistas" que somente vêem manipulações e utilizações dos grupos religiosos com fins políticos.

Os riscos existem e temos que nos manter alertas. Como era previsível, esse rápido crescimento estimulou a incursão de muitos líderes na arena política, animando inclusive setores a constituir partidos e frentes políticas evangélicas.

Essa preocupação social dos evangélicos merece ser ressaltada, principalmente quando provém de setores que habitualmente renunciavam a toda e qualquer participação na vida política. Mas se tal participação é desejável, é preciso perguntar se a formação de partidos evangélicos seria a melhor maneira de organização e de testemunho.

Como bem assinala o teólogo metodista argentino José Míguez Bonino, que foi membro da Assembléia Constituinte em seu país, fundar um partido evangélico suporia que há uma ideologia e uma plataforma evangélicas. Essa pretensão pode ser perigosa, pois indicaria, por um lado, que quem não compartilha essa ideologia não é evangélico, e, por outro lado, obrigaria todo evangélico a compartilhar tal ideologia.

O debate está aberto. Só o tempo nos dirá se os evangélicos estiveram à altura das exigências históricas e contribuíram, através de diferentes canais de organização da sociedade civil, para superar os problemas que afligem a região ou se decidiram aferrar-se a uma "paz" baseada na manutenção das atuais estruturas de dominação.

Leia também: Teólogo batista afirma que não basta ser evangélico para conduzir a nação com eficiência


Posts relacionados

Geral, por José Geraldo Magalhães

Geral, por José Geraldo Magalhães

Geral, por José Geraldo Magalhães

Geral, por José Geraldo Magalhães

Geral, por José Geraldo Magalhães

Geral, por José Geraldo Magalhães

Geral, por José Geraldo Magalhães

Geral, por José Geraldo Magalhães