Páscoa: da banalização à contrição, da religiosidade à espiritualidade

Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral  |  05/04/2012 às 15:02:00

Veja material de apoio para celebrar a Páscoa em sua Igreja no site da Escola Dominical!

No final da reflexão assista também ao vídeo sobre a Páscoa!

Quando se aproxima o período da Páscoa, pelo menos duas grandes ênfases se manifestam. A primeira é a comercial, promovida com finalidade de render lucros, a venda de chocolates e outros produtos relacionados. Acontece fora dos templos. A segunda é a litúrgica. Promovida pela Igreja Cristã nas várias partes do mundo. Geralmente marcada por leituras próprias, cores da toalha, lava-pés, café comunitário, alvoradas, etc. e acontece basicamente dentro dos templos .

A festa da Páscoa é legitima, especial, profunda em seus propósitos espirituais, não somente para o povo de Deus, mas para toda a sociedade. Se, por um lado encontramos banalizações e prática de religiosidade morta na possível intenção de vivenciar esta festa, por conseguinte, encontramos na vivência da mesma, profunda contrição e fé, bem como espiritualidade contagiante. Creio que é assim que todos nós deveríamos nos manifestar ao mundo neste período pascal,  e durante todo o resto do ano.

Nesta época, o que mais deveria nos impressionar e nos emocionar, não são os ritos humanos e simbólicos do que venha a ser páscoa, exteriorizada pelo comércio, bem como, pela Igreja. No caso da Igreja, o rito exteriorizado por símbolos, pode não significar nada em si mesmo e pode não promover nada, senão simplesmente um símbolo, vindo a se tornar tão superficial como comprar um ovo de chocolate, no período de Páscoa no supermercado.

Como viver e reviver este momento tão importante na história da Igreja e de nossa própria história, como participantes do Corpo Vivo de Cristo?

Qual seria a melhor forma de celebração da páscoa, de forma que ela não se torne uma festa cujo memorial se encontra tão distante de nosso dia a dia e dos caminhos da missão?
As respostas podem ser muitas. À luz das Escrituras Sagradas, compartilho com você algumas verdades que fundamentam a Páscoa, como acontecimento divino a favor de cada um de nós, como graça de Deus que salva e liberta o ser humano de tudo que o escraviza e destrói:

•    O pecado afasta o ser humano de Deus, mas, por meio do sangue de Cristo ele foi e é aproximado, reconciliado com Deus. Se não há reconciliação que gera vida nova, dificilmente a celebração da Páscoa terá sentido real para nós e para o mundo. A Igreja pascal é reconciliada com Deus, por meio de Jesus Cristo, para reconciliar o mundo a Deus e uns com os outros. O pecado tem domínio sobre o não reconciliado, daí a importância de viver e pregar um evangelho que salva e liberta o ser humano de seu vil pecado. I Jo. 3:4 “Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei.” Rm.5:15,19. “15 - Todavia, não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se, pela ofensa de um só, morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre muitos. 19 - Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos.”

•    O sacrifício da cruz é a explicação da enormidade do pecado, e a medida do amor do Deus Trino para nossa redenção. Jesus Cristo morreu, porque Deus nos ama, não o contrário. A expiação é fruto do amor de Deus e de Jesus Cristo, a nosso favor.

•    A morte de Cristo na Cruz, tanto como substituto quanto como o representante da humanidade, voluntária, altruísta, vicária, sem pecado, sacrificial, proposital e não acidental, do ponto de vista da humanidade, inconsciente e brutal, mas do ponto de vista do amor, indiscutivelmente gloriosa, pois, não só satisfez todas as exigências divinas, mas ofereceu o incentivo mais poderoso para o arrependimento, a moralidade e a abnegação. A Igreja pascal está crucificada com Cristo e vive para serví-lo na horizontalidade da vida humana.

•    No meio eclesiástico, há consenso de que a expiação é um dos principais fundamentos da fé cristã. A Cruz de Cristo é o ponto central de toda história: o universo gira em torno de uma cruz. Esta tragédia é o maior dos triunfos; este aparente fracasso, o maior dos sucessos. Destas trevas tem vindo eterna luz; Jesus foi desamparado para que nós fôssemos amparados; Ele foi ferido para que nós fôssemos sarados. Se Ele tivesse fugido da cruz, nós para lá teríamos de ir. Se Ele não tivesse morrido na cruz, Barrabás teria morrido nela. (Scroggie). O Apóstolo Paulo dá seu testemunho sobre a morte de Cristo, que permeia a sua própria vida. Para ele, se não fosse a expiação de Cristo todos estaríamos mortos em nossos delitos e pecados. A morte de Cristo reconciliou o ser humano com Deus. ICo. 5:7 “Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado.” Para Paulo, a ressurreição de Cristo emergia da morte de Cristo!

•    Jesus Cristo, ao consumar a obra que o Pai o dera para realizar a nosso favor, cumpriu todos os requisitos para nos trazer libertação de toda espécie de opressão, morte, condenação, subjugação, Jo. 8:32,36. ‘E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. Assim, como o povo foi liberto das garras de Faraó e do Egito, assim, o ser humano tem sido liberto das garras de satanás e do império das trevas. Glórias a Deus por isto, Jesus Vive e Reina para sempre!


Alguns dos resultados da vivência da Páscoa

• O poder da Morte de Cristo. Quanta gente já foi transformada pelo poder da redenção, a partir do momento em que creram no poder do sangue remidor de Cristo.  Quantos tem dito – Oh! A expiação é tudo para mim! Quantos hinos são cantados sobre a gloriosa obra da Cruz?

• Um pregador do século dezenove disse: “Olhando para trás, para os caminhos cheios de vicissitudes, digo que a única pregação que me fez bem foi a pregação de um Salvador que, sobre o madeiro, levou meus pecados em seu próprio corpo, é a única pregação pela qual Deus me capacitou a fazer o bem a outros, é a única pregação na qual apresento meu Salvador, não como um exemplo sublime, mas, como o Cordeiro de Deus que tirou os pecados do mundo”.

• O Crucificado continua salvando vidas e redimindo famílias da terra, sua obra continua hoje.

• Ele ainda está aplicando seu precioso sangue curativo à consciência ferida!

• Não pregamos um Cristo que viveu e está morto; pregamos o Cristo que morreu, e está vivo.

• Um cristianismo que é apenas um sistema moral e o melhor dentre as religiões, não é digno de ser preservado.


• Um cristianismo sem um Cristo divino, uma expiação vicária e uma Bíblia inspirada, nunca terá poder.

• Um evangelho desvitalizado, diluído, ou um evangelho atenuado não conceberá nenhum programa esplêndido, nem inspirará nenhum esforço esplêndido!

• Ninguém tem direito de aparar as pontas da cruz!

• Uma Igreja que é apenas guardiã da tradição do passado, e não a expressão de uma vida espiritual forte; um cristão que está apenas conservando um credo tradicional, e não exemplificando a vida do Deus vivo, é um obstáculo!

• Uma igreja morta jamais será um expoente do Deus vivo, e um clérigo morto jamais será o expoente de uma Igreja viva!

Falar sobre a Páscoa, recitar poesias, participar de memoriais, apontar com símbolos seu significado, expressar no período litúrgico o seu valor... tudo isso é importante, se for acompanhado da vivência de seus princípios, da prática de seus valores, da intensidade de seus propósitos salvíficos, da radicalidade da cruz, da profundidade de seu amor, da extensão de sua graça a favor de todos.

João Batista expressou – “Eis aí o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!” A Igreja deve viver a Páscoa de tal maneira que possa dizer: Eis aí a Páscoa verdadeira, a graça disponível a todos, o amor que salva e liberta, o poder que transforma e cura”

Eis aí o Crucificado que venceu a morte, está vivo e voltará!

Deus abençoe nossas vidas na perspectiva da Páscoa genuína nos caminhos da missão.
Com carinho,

Bispo Adonias

Presidente do Colégio Episcopal da Igreja Metodista


 

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